Dolino

1945 | macaé – rj

bio

Reconhecido por uma pintura marcada pela disciplina geométrica e pela atenção ao ritmo da superfície, Luiz Dolino inicia sua formação na Escolinha de Arte do Brasil e no MAM‑RJ, sob a influência de Ivan Serpa, e, a partir dali, consolida um olhar que alia rigor compositivo e sensibilidade cromática. Ao incorporar a geometria ao seu vocabulário plástico, Dolino transforma formas e cores em estruturas que organizam o espaço pictórico como se fossem partituras visuais — linhas, planos e módulos que se repetem, variam e se tensionam, produzindo uma sensação de ordem em movimento. A materialidade e a escala são vetores centrais de sua prática. Trabalhos em painel e intervenções públicas, como o painel Loco por ti no Palácio dos Bandeirantes, revelam sua capacidade de pensar a pintura além do quadro: superfícies ampliadas, ritmos modulares e relações entre cor e arquitetura que dialogam com o entorno. Sua produção gráfica, exemplificada na criação para o livro A Lição do Amigo, e os livros sobre sua obra e memórias, mostram um artista atento tanto ao gesto pictórico quanto à circulação da imagem em suportes diversos. As viagens e vivências em países da América Latina e da África imprimiram à sua obra uma dimensão cosmopolita sem diluir o rigor formal: há nas peças de Dolino uma síntese entre experiência cultural e método plástico, onde a repetição seriada convive com variações sutis de tom e textura. Exposições em espaços como o MAM‑RJ e o Museo de la Revolución em Havana atestam uma trajetória que articula pesquisa e intervenção pública, consolidando‑o como um dos artistas mais relevantes da pintura brasileira por sua capacidade de transformar princípios geometrizantes em experiências visuais de grande presença e ressonância.

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