Bruno Neves

1991 | são paulo – sp

bio

A pesquisa de Bruno Neves articula pintura, desenho e processos materiais para investigar como a geometria, a luz e a espacialidade podem reconfigurar percepções da paisagem e do ambiente urbano. Trabalhando com óleo, cera de abelha e resíduos de ateliê, o artista constrói superfícies estratificadas onde incisões, camadas e apagamentos operam como modos de registrar e reorganizar experiências vividas. Sua prática reforça a pintura como campo ativo: um espaço onde matéria, gesto e tempo produzem significados. O caráter político de seu trabalho desloca a noção de regeneração para além da forma, incorporando saberes periféricos e circuitos locais de produção cultural. Nesse contexto, a autoria assume dimensão epistemológica: a obra ganha validade à medida que integra conhecimentos situados e estabelece mediações entre práticas comunitárias e instituições artísticas. Essa abordagem o coloca em diálogo crítico com tradições brasileiras, do modernismo ao concretismo, reativando preocupações espaciais e perceptivas sem aderir a seus rigores normativos. Neves constrói, assim, um vocabulário pictórico que enfatiza a relação entre corpo e espaço, preservando a presença física da pintura enquanto campo de experiência. As camadas, cortes e texturas evidenciam tanto a materialidade do fazer quanto sua dimensão urbana — entendida como arquivo vivo de afetos, memórias e tensões. Seu trabalho tem sido apresentado em museus, galerias e espaços independentes, integrando ainda coleções públicas no Brasil e no exterior.

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