Greta Coutinho

1986 | santo andré – sp

bio

Munida de seus próprios sons, a pintura de Greta Coutinho transforma o silêncio em presença ativa: não mera ausência de ruído, mas um campo onde significados se condensam e se ocultam. Ao adentrarmos suas telas, somos convidados a aquietar a palavra e a escutar com o corpo; é preciso cuidado para não perturbar as figuras femininas que ali habitam, ora reunidas, ora solitárias, entregues a um gesto de contemplação que parece suspender o tempo. As cores vibrantes e a luminosidade das superfícies atraem e, simultaneamente, instauram uma tensão. As mulheres nas pinturas permanecem imóveis — olhos cerrados ou voltados para dentro, botões intactos, respirações contidas — e essa imobilidade abre uma ambiguidade inquietante: o silêncio convive com o sono e com a sombra da morte, oferecendo ao mesmo tempo um refúgio idílico e uma passagem para a tragédia. Greta não conta histórias; ela desloca a linguagem: sua pintura cria um idioma visual que nomeia o que escapa à fala e à dominação do sentido. O silêncio, aqui, é testemunho. Nós, espectadores, somos chamados a permanecer de olhos abertos e a aceitar a espera que se prolonga nas telas — uma espera que revela, por meio do gesto pictórico e da cor, a tensão entre presença e dissolução, entre o que se afirma e o que se desfaz.