Laura Teixeira
1976 | são paulo – sp
bio
A experimentação constante permite a Laura Teixeira articular elementos do desenho, da pintura e da modulação do espaço tridimensional, expandindo o plano pictórico na produção de relevos, na qual a separação entre uma linguagem e a outra não é clara, ou mesmo deixa de existir. A artista trabalha a tensão entre simetria e descompasso, usando espelhamentos e formatos atípicos que reconfiguram continuamente os limites da intervenção — a borda deixa de ser fronteira e passa a operar como elemento compositivo. A materialidade é decisiva: esmaltes de unha, aviamentos, apliques de cabelo, pérolas falsas, folha de ouro, pasta de modelagem, flocos de mica ou outros itens mais ou menos presentes no cotidiano, pertencentes ou não ao universo de materiais tradicionalmente artísticos, entram como disparadores de lembranças, ativando os sentidos e acumulando‑se em camadas que alternam brilho e opacidade, aderência e desprendimento. Esses materiais transformam-se em sinais — pontos de costura, manchas, relevos e fissuras — que organizam ritmos e direções, sugerindo dobras, sombras e superfícies que se projetam para fora do plano. O ateliê funciona como laboratório de repetição e variação: procedimentos seriais, sobreposições e intervenções manuais minuciosas geram pesquisas que nascem da rotina de trabalho e se respondem entre si. Assim, a obra de Laura propõe uma cartografia íntima onde o gráfico encontra o tátil, e onde a acumulação de fragmentos produz objetos que são ao mesmo tempo cor, desenho e memória.