Lizar
1939 – 2023 | miracatu – são paulo
bio
Sidnei Lizardo nasceu em Miracatu, São Paulo, em 1939, e radicado na capital desde a infância, Lizar fez da capoeira o centro de uma pesquisa que atravessa a pintura, o desenho, a gravura e a escultura. Em sua obra, o jogo ultrapassa a condição de tema: torna-se estrutura, ritmo e pensamento. A roda, a cadência e o movimento dos corpos orientam composições que partem da figura e avançam em direção à abstração. Pouco a pouco, os capoeiristas se dissolvem em linhas, campos de cor e formas tensionadas. A imagem se afasta da descrição, mas conserva a memória do gesto. Permanecem o equilíbrio instável, a força contida, a pausa que antecede o movimento. Essa linguagem nasce de uma compreensão ampla da capoeira, vista como experiência estética e expressão histórica afro-brasileira. Ancestralidade, resistência e liberdade não aparecem como ideias acrescentadas à obra, mas como forças inscritas em sua própria construção visual. A atuação de Lizar também se estendeu à organização do campo artístico. Em 1974, fundou a Associação dos Artistas Plásticos de São Paulo, tornando-se seu primeiro presidente. Participou da Bienal Nacional de 1976, da exposição A Mão Afro-Brasileira, em 1988, e de Introspectives: Contemporary Art by Americans and Brazilians of African Descent, realizada no Bronx Museum of the Arts, em Nova York. Ao transformar o movimento da capoeira em matéria plástica, Lizar construiu uma poética singular. Sua obra não se limita a representar uma tradição: aproxima-se de sua pulsação e encontra nela uma forma de pensar o corpo, a memória e o espaço.