1941 – 2007 | são paulo – sp
A produção de Aldir Mendes de Souza funda‑se numa investigação contínua da relação entre geometria e cor, onde a construção formal convive com lembranças da paisagem brasileira. A partir de 1969, o artista toma o cafeeiro como motivo inaugural: ao reduzi‑lo a núcleos circulares, inicia um processo de desagregação do referente natural que, por etapas, transforma o espaço pictórico em campo geométrico. Durante a década de 1970, Mendes de Souza desenvolve séries que articulam o campo e a cidade, traduzindo memórias topográficas em estruturas rítmicas e cromáticas. Nesses trabalhos, a repetição e a variação tornam‑se estratégias para explorar escala, profundidade e movimento interno à superfície. Em 1979, o formato retangular das janelas emerge com maior nitidez como elemento compositivo: o enquadramento deixa de ser mera referência e passa a operar como dispositivo plástico. No ano seguinte, o artista aprofunda essa investigação em uma sequência de pinturas centradas no retângulo, onde a forma assume papel de princípio organizador e de tema em si. A obra de Mendes de Souza distingue‑se pela economia de meios e pela precisão do gesto: a cor não funciona apenas como preenchimento, mas como agente que estrutura planos, define tensões e regula a luz. A serialidade das séries convive com sutis deslocamentos tonais e formais, de modo que cada peça participa de um sistema maior sem perder autonomia. Há, igualmente, uma atenção à materialidade do suporte e ao ritmo das repetições, que confere às composições uma qualidade quase arquitetônica. No conjunto, sua trajetória propõe uma leitura dupla: por um lado, remete à topografia e à memória do território brasileiro; por outro, afirma uma reflexão sobre o quadro como objeto e janela — um espaço onde a paisagem é desfeita e reconstituída segundo leis geométricas. Essa tensão entre referência e abstração, entre lembrança e rigor formal, assegura a singularidade de sua contribuição à abstração brasileira.