Ana Durães

1962 | diamantina – mg

bio

Ana Durães trabalha a natureza como presença sensorial: suas telas afirmam paisagens por meio da cor e do gesto, ao mesmo tempo em que as desfazem em camadas, veladuras e raspagens que revelam e ocultam memórias. A paleta alterna entre tons terrosos e cromatismos vívidos, criando campos de luz que respiram sobre a superfície; o gesto — ora contido, ora expansivo — deixa marcas que funcionam como sinais de crescimento, erosão e passagem do tempo. Procedimentos de sobreposição e retirada transformam cada obra num processo de aparecimento e dissolução, onde manchas, riscos e lavagens se cruzam em ritmos que sugerem vento, água e vegetação sem recorrer à ilustração. A materialidade do suporte importa tanto quanto a imagem: a textura, o relevo da tinta e a incidência da luz tornam visível o trabalho do tempo sobre a paisagem. Séries e variações controladas permitem que a repetição gere deslocamentos sutis — uma mesma cor pode afirmar um volume em uma peça e, na seguinte, dissolvê‑lo em transparência. Assim, a obra de Durães propõe uma experiência em que a natureza se manifesta como evento plástico: simultaneamente presente e efêmera, construída pelo gesto e desfeita pelo próprio processo pictórico.

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