Sérgio Guerini
1961 | santo andré – sp
bio
Entre fotografia e pintura, a obra de Sérgio Guerini articula uma tensão produtiva entre imagem capturada e intervenção manual: cenas registradas em preto e branco tornam‑se campos de trabalho onde aquarela e nanquim reescrevem superfícies, introduzindo manchas, linhas e veladuras que deslocam o real para o terreno da poética pictórica. O gesto sobre a fotografia não é meramente decorativo, mas um ato de reconfiguração — traços que recortam, lavagens que obscurecem e pontos de luz que reativam detalhes — transformando cada imagem em um híbrido entre documento e pintura. O rigor artesanal herdado da convivência com Luiz Sacilotto e dos estudos em gravura e aquarela se manifesta na precisão do traço e no controle das camadas: a transparência da aquarela contrapõe‑se à densidade do nanquim, produzindo planos que respiram e superfícies que oscilam entre o delicado e o contundente. Sérgio explora também a impressão digital como extensão do gesto, integrando processos mecânicos e manuais para ampliar a textura da imagem e questionar a autoridade do registro fotográfico. Séries inspiradas na arquitetura barroca de Tiradentes exemplificam sua capacidade de transformar motivos arquitetônicos em partituras visuais — fachadas, ornamentos e sombras viram motivos rítmicos que se repetem, variam e se tensionam, revelando uma sensibilidade para a composição, o enquadramento e a modulação da luz. Premiado em bienais e exibido em instituições como a Pinacoteca de São Paulo e o CCBB, seu trabalho afirma uma poética onde a fotografia é ponto de partida e a pintura, instrumento de reinvenção.