Renato Dib

1973 | são paulo – sp

bio

Voltado para a presença do corpo em sua materialidade, Renato Dib constrói uma poética escultórica a partir da sobreposição de tecidos, resíduos têxteis e objetos do vestuário, tensionando camadas, transparências e volumes. Suas peças e instalações funcionam como corpos ampliados: peles costuradas, membranas translúcidas e tramas que sugerem membros e entranhas ao mesmo tempo em que preservam a familiaridade dos materiais cotidianos. Técnicas manuais — bordado, tricô, costura e reaproveitamento de luvas, gravatas e outros achados — são empregadas como gestos de modelagem; o ponto e a dobra tornam‑se operações escultóricas que definem ritmo, densidade e fragilidade. A textura assume papel central: rugosidades e brilhos compõem uma superfície tátil que convoca ao toque mesmo na distância visual, expondo a tensão entre equilíbrio estrutural e maleabilidade. No espaço expositivo, as obras de Dib articulam lógica de volume e campo de luz: tecidos tensionados projetam sombras, camadas translúcidas filtram a cor e a iluminação revela camadas ocultas, transformando o espectador em testemunha de uma anatomia construída. O ateliê aparece como laboratório de acumulação e experimentação, onde a rotina de manipulação e reaproveitamento gera uma gramática própria — uma alquimia entre o doméstico e o orgânico, entre o íntimo e o coletivo. O resultado é uma obra que fala pelo corpo sem reduzi‑lo à representação: objetos‑pele e tramas‑órgão afirmam uma presença ambígua, simultaneamente vulnerável e resistente, convidando a uma leitura sensorial em que o cotidiano se metamorfoseia em imagem e a matéria em memórias e afetos.

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