Thatiane Mendes
1981 | belém – pa
bio
A produção de Thatiane Mendes configura uma poética da interdependência, na qual corpos, matérias, organismos, técnicas e memórias existem por meio das relações que estabelecem entre si. Tecidos, plantas, microrganismos, pigmentos e biopelículas deixam de ser elementos passivos para participar ativamente da formação da obra. Nesse campo de encontros, criar não significa dominar a matéria, mas escutá-la, acompanhar seus ritmos e acolher sua capacidade de transformação. A prática artística torna-se, assim, um exercício de convivência com o instável, o microscópico e o imprevisível. Ao aproximar saberes ancestrais, procedimentos laboratoriais e gestos de cuidado, Mendes revela o corpo como território poroso, atravessado por outras vidas e temporalidades. Sua obra desfaz a ideia de uma existência autônoma e propõe compreender a vida como trama: uma composição contínua de vínculos, contaminações, heranças e metamorfoses. Nessa perspectiva, a interdependência não constitui apenas um tema, mas o próprio modo de existência da obra, uma ética sensível segundo a qual nenhuma forma vive, cria ou se transforma sozinha.